
Foi dada a largada para a 3ª Expedição Fluvial pelo Rio Cuiabá da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), liderada pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD), com a participação de especialistas ambientais, pescadores, pesquisadores e representantes de órgãos públicos. A comitiva iniciou, nesta segunda-feira (9), o percurso de fiscalização e levantamento ambiental que seguirá ao longo do principal rio da região metropolitana até chegar ao Pantanal - divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
O ponto de partida foi a região próxima à barragem de Manso, com saída no Rancho do Mano, em Chapada dos Guimarães, onde técnicos e pesquisadores apresentaram as primeiras análises sobre a dinâmica ambiental do rio, destacando mudanças provocadas ao longo dos anos no fluxo das águas, na sedimentação e na migração dos peixes.
Durante a abertura da expedição, Wilson Santos explicou que o sistema hídrico do rio tem papel fundamental para outras bacias da América do Sul. “Essas águas seguem até desaguar no rio Paraguai e depois alcançam a bacia do Prata, ou seja, o que acontece aqui, impacta um sistema hídrico muito maior”, destacou.
Outro ponto ressaltado, foi a importância da região para a reprodução e migração de espécies de peixes como pintado, pacu, dourado e piraputanga. Segundo relatos de pescadores e técnicos, obstáculos no rio e alterações ambientais têm dificultado a subida dessas espécies durante o período de migração, o que pode provocar aumento na mortalidade de peixes. “Há momentos em que os peixes ficam concentrados tentando subir o rio e não conseguem. Isso gera estresse e até morte de muitos deles”, relatou uma moradora da região.
A expedição também busca avaliar os efeitos da Usina Hidrelétrica de Manso na dinâmica do rio, especialmente na retenção de sedimentos. De acordo com o engenheiro hidráulico e professor da Universidade de Mato Grosso (UFMT), Rafael Petrollo de Paes, a redução da quantidade de areia transportada pela corrente pode provocar mudanças na formação do leito e até impactos no Pantanal.
Ele também explica que os sedimentos carregados pelo rio são essenciais para o equilíbrio do ecossistema pantaneiro. "Sem esse material, ocorre uma mudança no fluxo da água e a dinâmica da erosão e deposição dos sedimentos, o que pode impactar o processo de inundação da planície e consequentemente afetar o ecossistema pantaneiro", disse Paes.
Para o deputado Wilson Santos, a expedição representa mais um passo na busca por informações técnicas e diálogo com quem vive do rio. “O objetivo é ouvir os pescadores, os ribeirinhos e os especialistas, além de fiscalizar possíveis irregularidades ambientais. Precisamos entender o que está acontecendo com o rio Cuiabá para construir soluções que garantam a preservação ambiental e a sobrevivência das comunidades que dependem dele”, afirmou o parlamentar.
Ao longo dos próximos dias, a comitiva percorrerá diversos trechos do rio, passando por municípios da região metropolitana e do Pantanal, realizando reuniões comunitárias, inspeções ambientais e coleta de informações que irão subsidiar um relatório técnico a ser encaminhado aos órgãos competentes.
Também fazem parte da comitiva - representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Marinha do Brasil – Capitania Fluvial de Mato Grosso e Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Cuiabá, presidente da Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo) e professor da UFMT, Caiubi Emanuel Souza Kuhn, e da advogada Nilma Silva Santos, da presidente da Associação do Segmento da Pesca de Mato Grosso (ASP-MT).