Há muito glamour em torno da palavra "empreendedorismo", mas poucos estão dispostos a falar sobre o preço real de transformar uma ideia em um negócio sólido. Essa redoma de romantização foi quebrada durante a entrevista na nova temporada do podcast Talk Connect, comandado pelo jornalista Robson Alex. A convidada, Dra. Graziela Lodi, advogada, professora, doutora em direito e idealizadora do Centro Empresarial Lodi, não poupou franqueza ao detalhar como a dor, a necessidade e as dificuldades forjaram seu sucesso em Lucas do Rio Verde.
Muito além do tradicional "roteiro de vitória", Graziela abriu o jogo sobre a origem de sua força motriz: o modo sobrevivência. Vinda de uma família humilde e do meio rural, a empresária relembrou o sacrifício precoce que a moldou. "Aos 6 anos, minha mãe me disse: 'Filha, para que você possa estudar, você precisará morar na cidade'. Eu fui morar na casa de pessoas que mal conhecia. O estudo eu comecei a valorizar desde muito cedo justamente pelas condições nunca terem sido fáceis", revelou.
A Dor que Virou um Megaempreendimento
Essa capacidade de enxergar oportunidades na adversidade foi o que a levou a fundar o Centro Empresarial Lodi. Hoje um imponente edifício de 1.700 m² e capacidade para 63 salas comerciais, o espaço nasceu da frustração que Graziela sentia no início da carreira na advocacia. Ela recordou que, ao atender em coworkings e escritórios de terceiros, não conseguia oferecer a privacidade e o nível de credibilidade exigidos por sua profissão.
A gota d'água ocorreu quando um atendimento sensível de divórcio foi interrompido pela falta de estrutura adequada. "Quando você vai abrir uma empresa, não está com recursos financeiros para grandes investimentos. O Centro Empresarial nasceu de uma dor minha, mas percebi que era a dor de várias outras pessoas, engenheiros, arquitetos, psicólogos", explicou a empresária.
Ao invés de apenas alugar salas, o objetivo foi criar um ecossistema vivo de conexões. "A velocidade do sucesso dos negócios vai depender muito das conexões que a gente vai fazendo ao longo da vida. Se você quer ir rápido, vá sozinho, mas se quiser ir longe, vá acompanhado", sentenciou Dra. Graziela.
O Escudo da Formalização
Com a propriedade de quem concilia a advocacia, o mundo corporativo e a sala de aula acadêmica, Graziela aproveitou a bancada para fazer um alerta aos profissionais liberais e à economia criativa. Usando o exemplo da atuação com os artesãos locais, a doutora reforçou que a formalidade jurídica é a grande ponte entre a informalidade da "garagem" e a dignidade profissional.
"A formalização te traz profissionalismo, minimiza riscos trabalhistas e financeiros, traz visibilidade e aumenta as oportunidades de acessar linhas de crédito. A informação por si só é acessível a todos, mas não basta dominar o conhecimento técnico. As habilidades comportamentais e a capacidade de se relacionar são o que fazem a diferença", ensinou.
O Recado amargo (mas Necessário) aos sonhadores
Na reta final da entrevista, Graziela entregou o que foi classificado como uma "aula magna" de realidade corporativa. Confrontada com o alarmante dado do IBGE de que 60% das empresas fecham em cinco anos, ela deixou um conselho direto a quem planeja abrir as portas do próprio negócio.
"Não basta ter uma boa ideia ou um sonho. Você tem que fazer o planejamento e a segunda pergunta: eu estou disposto a pagar o preço? Até a ideia não dar certo, o que eu já considero dar certo, é um caminho solitário. Desistir já não é mais uma opção. E tá tudo bem não empreender, mas se você tem o sonho, tem que estar disposto a pagar esse preço até atingir seus objetivos", finalizou.
Assista à entrevista completa: